E chego a esta hora e estou disperso... Como um punhado de pássaros abalroado pelas águias da incursão. Visível, mas inconcluso, o vôo das palavras. Palpita o estanque do sangue nosso (meu). Para trás, a coesão. Prossegue para Norte o sopro do vento, segregando o tempo, nova moradia de quando há só um limitado acompanhamento, insatisfatório na migração - o dos pássaros fugazes esbatidos em pequenez.
Dou a mão à palmatória. Posso apenas sublinhar o conceito de crença - pois que é tudo. (Bem como o de exagero, que é vida.)
artigos de excursões sem fim nem princípio, no algo enevoado horizonte do Não, o desprezo do típico como inegável paixão..
Mais distensões de mim:
Outros que tais:
um Abade às Fatias
, the bittersweet cherry flavour
, sobreposições no cenário-Hugo
not your average Lady , Scriptum Tremens , um ser buscando ser , Roman Veli
not your average Lady , Scriptum Tremens , um ser buscando ser , Roman Veli
terça-feira, janeiro 29, 2008
domingo, janeiro 13, 2008
E este de agora, contrastando:
Abandonei o saco de viagem,
desisti por omissão.
Vendi-me - renúncia -
e os grilos que cantam baixinho
estão lá.
Perturbante zumbido.
Nisto, forma-se a sensação
de que estou gasto.
É todo este som sem mim
onde deveria estar
todo um conjunto de notas
a resolver as tensões
e a restituir harmonia...
Desci a mim,mas voltei a ficar calado
na escuridão feita de antecipações
que é a mensagem por mandar,
que é o número por marcar,
a suspensão indefinida.
Alguém me solta desta rede?
Abandonei o saco de viagem,
desisti por omissão.
Vendi-me - renúncia -
e os grilos que cantam baixinho
estão lá.
Perturbante zumbido.
Nisto, forma-se a sensação
de que estou gasto.
É todo este som sem mim
onde deveria estar
todo um conjunto de notas
a resolver as tensões
e a restituir harmonia...
Desci a mim,mas voltei a ficar calado
na escuridão feita de antecipações
que é a mensagem por mandar,
que é o número por marcar,
a suspensão indefinida.
Alguém me solta desta rede?
Da mesma noite que o post anterior:
Mas sim, conta-me histórias.
Conta-me histórias, que o tempo é aqui...
O passo é quente e a neve funda.
E o silêncio dos cumes é belo
pois é para lá dele
que está esse canto absoluto,
essa paisagem autêntica, nova,
esse sonho translúcido,
melodia que preenche
e que não sei transcrever,
que não sei vazar.
Conta-me histórias dessas altitudes...
que eu escorro a neve intrometida nas botas
para poder escalar mais umas rochas,
para poder ouvir mais de perto,
histórias fantásticas,
mais e mais perto.
Mas sim, conta-me histórias.
Conta-me histórias, que o tempo é aqui...
O passo é quente e a neve funda.
E o silêncio dos cumes é belo
pois é para lá dele
que está esse canto absoluto,
essa paisagem autêntica, nova,
esse sonho translúcido,
melodia que preenche
e que não sei transcrever,
que não sei vazar.
Conta-me histórias dessas altitudes...
que eu escorro a neve intrometida nas botas
para poder escalar mais umas rochas,
para poder ouvir mais de perto,
histórias fantásticas,
mais e mais perto.
domingo, janeiro 06, 2008
Estendo brevemente a mão e pesquiso o ar. Ligeirezas pelas quais me vou dispersando, este dia que gradualmente é a passagem por itens, quase que querendo sintetizar e reduzir a vida... Ao lado, talvez, de maiores desafios - um vislumbre da largura do palco, e procuro agora distrair-me no quarto da maquilhagem. Recordo o que significa fraqueza: não é medo, pois esse é inevitável e ingrediente; nem é ficar aquém, pois que só podemos dar passos, sem garantias de declive e de firmeza que as do solo onde os dermos. Fraqueza é quedar-me recostado na cadeira inconsciente, tricotando esboços de espectáculos, e nunca seus actos de inteireza, repetindo visualizações, mnemónicas de espaços fotografados há muito, querendo cingir-lhes o sentido de presença, repercutir a suficiência que lhes incute a percepção direccionada, coagida pelo hábito, discretamente evitando a sugestão de fins outros onde se pressente o desconhecido, o perigo do desconhecido. Nessas alturas sim, se perde o comando, se perde a personagem, se minimiza inadvertidamente o explorador - e é o arame farpado o cobertor em torno das grandes colinas caiadas de gelo reluzente que há, em nós, por desafiar. São elas mesmas quem reflecte a artificial desatenção e quem, como todas as colinas, lá longe mas de uma imponência incontornávelmente próxima, nos faz sentir, por mais que desviando o olhar, qual a proporção real de ficar. Mostram-nos como é falsa, fútil até, a vida confortável no vale dos caminhos trilhados e dos parques arquitectados. A extensão da cordilheira mostra-nos a imensidão do ser, e é tempo de o relembrar.
Soe o relâmpago! É tempo de afundar as mãos no barro. É tempo de lhe arrancar todos os moldes, com todas as garras, e com todo o direito. Sermos de novo a música, sermos de novo o filme... Mas cantemo-la então! Representemo-lo!
E assim finde épico este apelo ao princípio.
Soe o relâmpago! É tempo de afundar as mãos no barro. É tempo de lhe arrancar todos os moldes, com todas as garras, e com todo o direito. Sermos de novo a música, sermos de novo o filme... Mas cantemo-la então! Representemo-lo!
E assim finde épico este apelo ao princípio.
sexta-feira, janeiro 04, 2008
Sonhos que os teus dedos tecem...
E quando perguntares de que sou feito,
que deverei responder?
Talvez que sou um sonho refeito
sem de o quê saber.
Talvez que pelo mar contrafeito
seja um marujo sem ter
mais que a alma, fustigada ao parapeito
dessa vista a perder
que é o oceano, o teu leito.
Talvez que de entre as ondas e a espuma
emerja, Neptuno, a Verdade;
imponha-se a quilha à bruma
desfazendo gotas ansiedade
pela qual navega sem estrelas. Ruma,
sonhador sem rumo - saudade
de artes profundas e belas, em suma.
Estranhas distâncias que a idade
acresce à paisagem que esfuma,
ao céu de divinas texturas...
Me abandonam porém ao escrevê-la
as suas espirais, as tonturas.
Olho p'ra o alto - conhecê-la
é sentir suas áureas partituras
percorrer os ouvidos de vê-la,
difundir que as telas são duras
para agarrar as tintas dela -
que a Arte renasça em gravuras.
Que nestes confins, nos rochedos
morras em mim, eremita.
Que as forças dela galguem medos,
as forças que emana, bonita
como o musgo que cobre os penedos,
como a vida que a chuva suscita
por solos ásperos enfim ledos
após do temporal a visita.
...Sonhos que tecem seus dedos...
por novelo tendo o que trago
em ambições do passado,
aquele que me orientava, o mago
de cuja performance aliado
um desejo, não dormir o lago,
romper as marés que batem contra o enfado.
Almejar mais que eu, estando pago
o Paraíso e a Pertença. Dourado,
bebo, urgente trago,
o sol que poisa os dias
em que o pintaram forças minhas.
Laranjas tons estes dias
a recolorir forças minhas.
E quando perguntares de que sou feito,
que deverei responder?
Talvez que sou um sonho refeito
sem de o quê saber.
Talvez que pelo mar contrafeito
seja um marujo sem ter
mais que a alma, fustigada ao parapeito
dessa vista a perder
que é o oceano, o teu leito.
Talvez que de entre as ondas e a espuma
emerja, Neptuno, a Verdade;
imponha-se a quilha à bruma
desfazendo gotas ansiedade
pela qual navega sem estrelas. Ruma,
sonhador sem rumo - saudade
de artes profundas e belas, em suma.
Estranhas distâncias que a idade
acresce à paisagem que esfuma,
ao céu de divinas texturas...
Me abandonam porém ao escrevê-la
as suas espirais, as tonturas.
Olho p'ra o alto - conhecê-la
é sentir suas áureas partituras
percorrer os ouvidos de vê-la,
difundir que as telas são duras
para agarrar as tintas dela -
que a Arte renasça em gravuras.
Que nestes confins, nos rochedos
morras em mim, eremita.
Que as forças dela galguem medos,
as forças que emana, bonita
como o musgo que cobre os penedos,
como a vida que a chuva suscita
por solos ásperos enfim ledos
após do temporal a visita.
...Sonhos que tecem seus dedos...
por novelo tendo o que trago
em ambições do passado,
aquele que me orientava, o mago
de cuja performance aliado
um desejo, não dormir o lago,
romper as marés que batem contra o enfado.
Almejar mais que eu, estando pago
o Paraíso e a Pertença. Dourado,
bebo, urgente trago,
o sol que poisa os dias
em que o pintaram forças minhas.
Laranjas tons estes dias
a recolorir forças minhas.
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